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A prática regular de exercícios físicos em intensidade leve a moderada melhora a imunidade e pode colaborar como fator potencial para maior resistência ao Covid-19 e a ter uma evolução mais favorável numa possível infecção.

Entre os benefícios mais importantes do exercício regular está a redução do risco cardiovascular através de diversos mecanismos, como a redução da pressão arterial, melhora nos níveis de lipídios sanguíneos, glicemia e marcadores inflamatórios e homeostáticos.

A doença cardiovascular atua como comorbidade levando a uma maior mortalidade em pacientes infectados pelo SARSCOV-2.

Outra questão é a obesidade, que vem sendo descrita como um fator de risco importante para a gravidade da Covid-19, principalmente entre os jovens. Estudos demonstram que pacientes com índice de massa corpórea (IMC) maior que 30kg/m2 evoluem mais frequentemente para a ventilação mecânica invasiva, podendo ter uma evolução pior.

Por outro lado, o isolamento social acabou confinando as pessoas, o que ocasionou um aumento da compulsão alimentar e do sedentarismo, contribuindo ainda mais para a obesidade e descontrole de doenças como hipertensão e Diabetes mellitus.

Também tem sido documentado desde o início da pandemia o aumento na incidência de distúrbios psicológicos em decorrência desse isolamento, principalmente ansiedade e depressão. Mas, assim como na obesidade, encontramos estudos e dados consistentes documentando os efeitos da atividade física no equilíbrio da saúde mental.

Desta forma, recomenda-se adotar e manter um estilo de vida ativo, com o objetivo de melhorar a saúde e o bem-estar em diversos aspectos.

Em 2020, o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, lançou orientações sobre “A prática de atividade física durante a pandemia”.

Dessa forma, a Coordenação Geral de Promoção de Atividade Física e Ações Intersetoriais (CGPROFI/DEPROS/SAPS/MS) sugere atividades que podem ser recomendadas à população para serem realizadas dentro do ambiente domiciliar, conforme a faixa etária.

O manual pode ser acessado através do link: orientacoes-sobre-a-pratica-de-atividade-fisica-durante-o-periodo-de-pandemia (www.gov.br)

Para as crianças, dependendo da faixa etária, as atividades podem ser estimuladas através de brincadeiras que incentivem o deslocamento pela casa, músicas cantadas, jogos, danças e tudo que estimule a criatividade e imaginação.

Para todas as faixas etárias é essencial que o tempo em frente às telas (tablets, celulares e televisão) seja reduzido ao máximo possível e substituído por atividades físicas.

Aos adultos, principalmente os que estão trabalhando em home office, recomenda-se interromper os longos períodos sentados e a cada meia hora executar uma atividade simples, como se levantar para beber água, ir ao banheiro, falar ao telefone em pé ou se deslocando pela casa, ou realizar alguma tarefa doméstica.

Quem já tem contato com alguma atividade física, pode adaptar os exercícios em casa ou diversificar as atividades (dançar, caminhar, pular corda etc.). Sempre lembrando de manter o corpo hidratado, bebendo água várias vezes ao dia.

Os idosos necessitam de uma atenção maior. Podem fazer alongamentos simples, exercícios de fortalecimento muscular (como levantar e sentar na cadeira algumas vezes seguidas, subir escadas, carregar sacolas com pouco peso dentro de casa etc..) sempre respeitando os limites do próprio corpo. Essas atividades ajudarão a manter sua capacidade funcional para que continuem exercendo as atividades diárias.

Sempre que possível as atividades devem ser praticadas por todos os moradores da residência, para que se torne um momento familiar de entretenimento e descontração.

Alguns cuidados recomendados:

·       Não praticar exercícios aos quais não esteja habituado;

·       Começar com atividades de intensidade leve e aumentar gradativamente;

·       Manter-se sempre hidratado e ficar atento aos limites e sinais do corpo;

·       Pessoas ativas, especialmente os idosos, devem manter seus exercícios, procurando estar atentos às regras de distanciamento entre outras pessoas de no mínimo 1 metro, além das orientações dos órgãos oficiais de saúde (uso de máscaras, higienização das mãos etc.);

·       Na presença de sinais e sintomas compatíveis com infecções respiratórias (febre, tosse, falta de ar) a prática da atividade física deve ser suspensa e recomenda-se procurar a Unidade de Saúde.

Com essas recomendações, esperamos que as pessoas possam manter suas atividades físicas, mesmo obedecendo às regras de isolamento, com a segurança necessária para o bem-estar individual.

Dra. Silvia Saullo

Patologista Clínica/Clínica Médica

Referências:

1. “Orientações sobre a prática de atividade física durante a pandemia” – Ministério da Saúde/Secretaria de Vigilância em Saúde/Secretaria de Atenção Primária à Saúde – 2020.

orientacoes-sobre-a-pratica-de-atividade-fisica-durante-o-periodo-de-pandemia (www.gov.br)

2. “Posicionamento sobre a avaliação pré-participação cardiológica após a Covid-19 – Orientações para o retorno à prática de exercícios físicos e esporte”.

Soc. Bras. De Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), Grupo de Estudos de Cardiologia do Esporte (GECESP), Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular (DERC) da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 2020

 POSICIONAMENTO-SOBRE-APP-POS-COVID.pdf (medicinadoesporte.org.br)

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