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A alimentação inadequada é um dos principais fatores de risco relacionados à carga global de doenças no mundo. Em 2015, no Brasil, ela foi o fator de risco que mais contribuiu para os anos de vida perdidos, sendo superior até mesmo ao uso de álcool, drogas, tabagismo e falta de atividade física. Em 2017, foi o principal fator de risco para mortes no mundo.

A má nutrição tem múltiplas causas, entre elas a desnutrição, as carências de micronutrientes, o sobrepeso e a obesidade. Assim, para enfrentar essas dificuldades, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançaram para o período de 2016 a 2025, a Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição, tendo o Brasil como protagonista dessas discussões. Nosso país coordena duas Redes de Ação para países da América Latina e Caribe: uma sobre guias alimentares baseados em alimentos (ao invés de baseados em nutrientes) e outra sobre redução do consumo de sal para prevenção de doenças cardiovasculares.

A alimentação foi reconhecida como direito na Constituição Brasileira em 2010  e como um dos determinantes da saúde da população na lei que criou o Sistema Único de Saúde (SUS), cabe à direção nacional do SUS a competência de “formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição”.

Atualmente, o cenário epidemiológico no Brasil mostra uma situação nutricional bastante complexa, cujo enfrentamento depende de um amplo leque de ações. Entre as situações que tiveram um aumento na prevalência estão excesso de peso, obesidade e diabetes.

Entre jovens de 18 a 24 anos, o excesso de peso cresceu 56% e a obesidade 110% no período de 2006 a 2017, lembrando que o peso corporal é o principal motivo para a busca de serviços de saúde por adolescentes.

No Brasil, não há levantamento nacional da prevalência de anemia, somente estudos em diferentes regiões, que mostram alta prevalência da doença, estimando-se que cerca de 4,8 milhões de pré-escolares sejam atingidos pela doença. Apesar da inexistência de estudos nacionais abrangentes, dados regionais têm demonstrado elevada prevalência de anemia no Brasil, em todas as idades e níveis socioeconômicos.

A anemia ferropriva pode estar associada à desnutrição, causada pela dieta pobre em ferro, vitamina A e folato, porém, sua etiologia resulta de múltiplos fatores, como a perda de ferro, a velocidade de crescimento da criança e infecções parasitárias.

Para combater a anemia deve-se consumir alimentos ricos em proteína, ferro, ácido fólico e vitaminas do complexo B como carnes, ovos, peixes, feijão, soja, lentilha, amendoim, beterraba e vegetais de cor escura como espinafre, brócolis e couve.

Esses alimentos devem entrar na alimentação diária, de preferência junto com alimentos ricos em Vitamina C, como laranja, abacaxi, morangos, kiwi e tangerina, por exemplo, pois assim é possível favorecer sua absorção a nível intestinal.

Porém, quando é identificado algum tipo de anemia, o ideal é procurar orientação médica ou de um nutricionista para que possa ser feita uma avaliação completa e indicado um plano nutricional adequado às necessidades da pessoa.

Embora o sobrepeso e a obesidade estejam hoje entre os principais desafios do Brasil relacionados à alimentação e nutrição, ainda persistem carências nutricionais (anemia e hipovitaminose A), combatidas através de suplementação e programas de saúde.

Hoje a Atenção Primária à Saúde (APS) precisa estar alinhada às diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN).

Tendo em vista que a alimentação inadequada e o excesso de peso lideram os fatores que mais contribuem para a carga de doenças dos brasileiros, principalmente em tempos de pandemia, vamos ficar atentos à nossa alimentação e de nossas crianças, não só para garantir alta imunidade, mas também para preservar nossa saúde de outras comorbidades.

Dra. Silvia Saullo

Patologista Clínica/ Clínica Médica

Referências:

1. “Ações de alimentação e nutrição na atenção primária à saúde no Brasil

Scielo Saúde Pública. Autores: Gisele Ane Bortolini, Thais Fonseca Veloso de Oliveira, Sara Araújo da Silva, Rafaella da Costa Santin, Olivia Lucena de Medeiros, Ana Maria Spaniol, Ana Carolina Lucena Pires, Maria Fernanda Moratori Alves, Lívia de Almeida Faller

2. “Anemia ferropriva infantil no Brasil: Uma revisão sistemática de literatura”

Por: Waldeir de Sousa Leitão

RC: 3130-31/07/2016

DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saúde/anemia-ferropriva-infantil

3. “Orientação Nutricional para Anemia Ferropriva” – Prefeitura Municipal de Campinas . FO1222.cdr (campinas.sp.gov.br)

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