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O número de novas infecções por Coronavírus voltou a crescer em muitos países. Além da variante Delta, outras mutações preocupantes, como a Lambda ou, mais recentemente a C.1.2 e a mi (letra grega mi), estão se espalhando rapidamente. Com isso surge a questão da dose de reforço, muito discutida ultimamente.

Infecções pós-vacinação ocorrem raramente, mas estão se tornando cada vez mais frequentes. Na Alemanha, tivemos 13.360 infecções sintomáticas pós-vacinação entre os 48 milhões de completamente vacinados, informação recebida em meados de agosto de 2021, do Instituto Robert Koch (RKI), responsável pela prevenção e controle de doenças naquele país.

Países como Israel e Estados Unidos decidiram oferecer a todos os cidadãos uma terceira dose do imunizante, a chamada dose de reforço.
Alguns países, no entanto, só pretendem aplicar a terceira dose em integrantes de grupo de risco, pelo menos a princípio. Nisso se enquadram idosos ou quem toma medicação imunossupressora, como os pacientes de tratamento de câncer.

Enquanto isso, no mundo todo, a campanha de vacinação avança a passos lentos. Por solidariedade, a Organização Mundial de Saúde (OMS) pede que se espere com a terceira dose até que pelo menos 10% da população de todos os países tenha sido vacinada contra a Covid-19.

O chamado efeito reforço nas vacinações contra a Covid-19 é geralmente desencadeado com a segunda dose, ou seja, quando ocorre um novo contato com o patógeno conhecido (seja por meio de uma segunda vacina ou de uma infecção), a resposta do sistema imunológico é fortalecida e acelerada. Tal reação é desencadeada pela formação das células de memória durante a reação inicial. As células de memória reconhecem o antígeno e assim podem reagir mais rápido para destruir o invasor. Daí a importância da segunda dose para todos e é por isso que quem já contraiu a doença, recebe apenas uma dose após a recuperação, pois seu organismo já conhece o patógeno.

Desde o mês de julho (2021), os fabricantes Pfizer e BionTech reconhecem que há um declínio no efeito protetor de sua vacina após seis meses. Avaliam assim, que uma terceira dose seria necessária sobretudo para quem tem o sistema imunológico debilitado.

“A vacinação de reforço resulta no mais alto nível de proteção contra todas as variantes do Coronavírus testadas até agora, inclusive a variante Delta”, afirmaram as farmacêuticas por meio de um comunicado.

A solicitação feita pela OMS, através do seu diretor geral Tedros Adhanon Ghebreyesus, no sentido de retardar a dose de reforço, não é apenas um ato de solidariedade ou falta de justiça com os mais pobres, fato é que a pandemia global está longe de terminar, e se as variantes do Coronavírus continuarem a se espalhar com a mesma velocidade nos países pobres, devido à falta de vacinas, a médio prazo, isso pode se tornar um problema sério para todos. De acordo com a OMS, quanto mais tempo o vírus circula em grupos populacionais não vacinados, maior a probabilidade de novas variantes aparecerem – como a Lambda (C.37), já difundida na América Latina, a Mi (B1.621), identificada na Colômbia ou a C.1.2, descoberta em maio de 2021, no sul da África. 

A variante Mi foi classificada pela OMS como uma “variante de interesse” por trazer mutações com possível resistência às vacinas existentes. Já a C.1.2 é a que demonstra a maior distância genética da cepa original, com uma taxa de 41,8 mutações por ano, ela muda de forma com particular rapidez, em comparação com outras variantes, explicou o epidemiologista americano Eric Feigl-Ding.

Por isso é tão importante que as taxas de vacinação aumentem, não só nos países ricos, mas no mundo todo, explicou Penny Moore, professora do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul. Disse ela: “As mutações só ocorrem quando alguém está infectado, portanto, se pudermos aumentar a cobertura de vacinação em todo o mundo, isso resultará em menos infecções. Essa é a única maneira de reduzir o número de variantes.”

E no Brasil? Qual a orientação?

Em 25 de agosto de 2021, o Ministério da Saúde informou o início, na segunda quinzena de setembro deste ano, da aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19 a “todos os indivíduos imunossuprimidos após 28 dias da segunda dose e para as pessoas acima de 60 anos vacinadas há 6 meses.”

A decisão pela aplicação da terceira dose foi tomada de forma conjunta, em reunião da pasta com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e a Câmara Técnica Assessora de Imunização Covid-19 (Cetai).

Também foi decidido durante essa reunião que haverá redução do intervalo entre as doses da Pfizer e AstraZeneca, de 12 para 8 semanas.

Quem são os imunossuprimidos?

As pessoas com baixa imunidade são chamadas imunossuprimidas ou imunocomprometidas.

O Ministério da Saúde não divulgou ainda uma lista desse grupo de pessoas.

Na primeira etapa da vacinação pelo país, eram considerados imunossuprimidos:

  • Pessoas transplantadas de órgão sólido ou de medula óssea.
  • Pessoas com HIV e CD4 com menos de 350 células/mm3.
  • Pessoas com doenças reumáticas imunomediadas sistêmicas em atividade e em uso de dose de prednisona ou equivalente, acima de 10mg/dia ou recebendo pulsoterapia com corticoide e/ou ciclofosfamida.
  • Pessoas em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias.
  • Pessoas com neoplasias hematológicas.
  • Pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses.

A recomendação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO) do Ministério da Saúde afirma que os pacientes imunossuprimidos devem ser vacinados, preferencialmente, quando a doença estiver controlada ou em remissão, como também em baixo grau de imunossupressão ou sem imunossupressão.

Contudo, a pasta esclarece que a decisão sobre a vacinação em pacientes com essas condições deve ser individualizada, levando em consideração a faixa etária, a doença de base, os graus de atividade e imunossupressão, além das comorbidades, e que seja feita preferencialmente sob orientação de médico especialista.

“No entanto, de maneira geral, recomenda-se que esses indivíduos sejam vacinados, salvo situações de contraindicações específicas”, afirma o Ministério da Saúde, por meio do PNO.

Muitas mudanças ainda podem ocorrer.

Vamos acompanhar!

Dra. Silvia Saullo
Clínica Médica/Patologia Clínica

Referências:

  1. Ministério da Saúde/agenciabrasil:
    Covid-19: terceira dose da vacina será aplicada a partir de setembro | Agência Brasil (ebc.com.br)
  2. Quem precisa da terceira dose da vacina? (Alexander Freund/04/09/2021)
    Quem precisa da terceira dose da vacina? – 04/09/2021 – UOL Notícias
  3. Quem pode tomar a terceira dose?
    Quem pode tomar a terceira dose ou reforço da vacina contra a Covid? O que são os imunossuprimidos? | Coronavírus | G1 (globo.com)
  4. Folha de São Paulo: “Ministério da Saúde anuncia terceira dose contra Covid para pessoas acima de 60 anos” – 30/09/2021