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Pensando na questão desde o início: Cardiopatia Congênita

O Dia Mundial do Coração, comemorado em 29 de setembro, foi criado pela Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) e tem como objetivo informar e sensibilizar a população sobre as doenças cardiovasculares.

Com esta data, pretendemos alertar para a necessidade de controlar os principais fatores de risco, tais como tabagismo, alimentação pouco saudável e sedentarismo, evitando assim mortes prematuras por doenças cardíacas.

Mas é importante também ter em mente uma doença que pode ocorrer durante o desenvolvimento fetal, a Cardiopatia Congênita, onde existe uma anormalidade da estrutura ou função do coração.

Sua causa pode ser devida a vários fatores, desde ambientais, genéticos, uso de medicamentos e drogas, doenças maternas (como diabetes, lúpus etc.) e infecções (Ex.: rubéola e sífilis). Todas essas situações podem interferir no momento da formação do coração fetal nas primeiras oito semanas de gravidez.

A cardiopatia congênita acomete oito crianças em cada mil nascidos vivos. Entre as malformações mais comuns estão as comunicações interatriais (que é uma comunicação defeituosa entre os átrios direito e esquerdo) e as comunicações interventriculares, ou seja, a ligação entre os dois ventrículos por um defeito no septo que os separam.

Os sintomas mais comuns da cardiopatia congênita são falta de ar, cansaço, ponta dos dedos e lábios azulados, dedos em formação de baqueta de tambor, modificações do formato do tórax, sudorese e cansaço entre as mamadas, no caso dos bebês.

Os cardiologistas afirmam que o ideal é corrigir o defeito estrutural. Dependendo do caso, o bebê pode sofrer uma intervenção ainda no útero, ser submetido à cirurgia imediatamente após nascer ou, aguardar meses ou anos para chegar ao centro cirúrgico.

Já o tratamento clínico é feito conforme o quadro que a criança apresenta, seja de cianose ou insuficiência cardíaca. Alguns casos não necessitam de tratamento, uma vez que podem ter cura espontânea, como costuma acontecer com o canal arterial persistente no bebê prematuro.

As cardiopatias congênitas podem ser descobertas ainda na vida fetal. Durante o pré-natal alguns exames facilitam esse diagnóstico, como os exames de ultrassom morfológico realizados rotineiramente no primeiro e segundo trimestres gestacionais.

Quando há suspeita de alguma anormalidade realiza-se então um ecocardiograma do coração do feto, que permite avaliar detalhadamente anormalidades estruturais e da função cardíaca.


Objetivando facilitar a detecção de defeitos mais graves, ainda na maternidade, foi instituído o “Teste do Coraçãozinho”, obrigatório em todo o Brasil. O exame é simples, não invasivo e não causa dor. O Ministério da Saúde incorporou o exame de oximetria de pulso (Teste do Coraçãozinho) como parte da triagem neonatal em todo o Sistema Único de Saúde (SUS).

O exame é capaz de detectar precocemente cardiopatias graves e diminui o percentual de recém-nascidos que recebem alta sem ter o devido diagnóstico.

O teste é feito com um oxímetro de pulso. Os sensores são colocados na mão direita e em um dos pés do bebê, para medir a concentração de oxigênio no sangue arterial da criança. Aquelas que apresentarem alterações são encaminhadas para a realização do ecocardiograma, em até 24 horas. 

O exame é indicado para ser realizado em todos os recém-nascidos com mais de 34 semanas de idade gestacional. Também é importante que seja feito entre 24 e 48 horas do nascimento.

Não há formas de se prevenir a doença, mas alguns cuidados podem ajudar no bom desenvolvimento do bebê. Além do acompanhamento médico, a grávida deve adotar uma alimentação saudável, abolir o fumo, as bebidas alcoólicas e o consumo de medicamentos sem o conhecimento do seu médico.

A ingestão diária de uma vitamina chamada “ácido fólico”, que deve ser receitada pelo seu obstetra, também pode ajudar, pois a deficiência dessa vitamina pode ser um fator desencadeante de malformações cardíacas no feto.

De acordo com um documento publicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, as crianças que sofrem com a cardiopatia congênita podem integrar o grupo de risco da Covid-19. Um dos motivos é pelo agravamento das condições respiratórias em pacientes infectados, fato que piora o quadro de pessoas com comprometimento cardíaco.

Por se tratar de um vírus novo, ainda não existem estudos conclusivos sobre os impactos diretos da Covid-19 em cardiopatas, por isso o documento se baseou em outras pesquisas que comprovam os efeitos de viroses com sintomas semelhantes ao coronavírus nesses pacientes (Ex: Influenza).

Assim, esses grupos merecem um cuidado especial em qualquer doença respiratória infecciosa, incluindo a Covid-19.

Vamos então aproveitar o 29 de setembro e ter em mente, todos os dias do ano, a importância não só do diagnóstico precoce, mas de todos os cuidados com aqueles que merecem ser tratados no tempo certo e da melhor maneira possível!

Dra. Silvia Saullo
Patologista Clínica/Clínica Médica

Referências:

  1. “Teste do Coraçãozinho ajuda a detectar cardiopatias congênitas”
    SESA – Teste do coraçãozinho ajuda a detectar doenças cardíacas congênitas (saude.es.gov.br)
  2. Sociedade Goiana de Pediatria
    Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita é lembrado nesta sexta – SBP
  3. HCOR – Hospital do Coração (Associação Beneficiente Síria)
    12 de junho – Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita | HCor – Hospital do Coração

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