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Dia 14 de Novembro comemora-se o Dia Mundial do Diabetes.

Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil existem cerca de 15,6 milhões de diabéticos (cerca de 7,4% da população). 

No entanto, o presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), Mauricio Maia, disse que apenas 4 milhões deles tratam a doença de forma adequada e aproximadamente 6 milhões (entre 30% e 40%) devem desenvolver algum tipo de cegueira.

A classificação do Diabetes Mellitus (DM) permite o tratamento adequado e a definição de estratégias de rastreamento de comorbidades e complicações crônicas. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) lançou em 2021 nova diretriz com explicações detalhadas sobre o assunto, onde classifica a doença baseado em sua etiopatogenia, que comprende o diabetes tipo 1 (DM1), o diabetes tipo 2 (DM2), o diabetes gestacional (DMG) e outros tipos descritos.

O DM2 é o tipo mais comum, frequentemente associado à obesidade e ao envelhecimento. Tem início insidioso e é caracterizado por resistência à insulina e deficiência parcial de secreção de insulina pelas células beta pancreáticas, além de alterações na secreção de incretinas, uma classe de substâncias produzidas pelo pâncreas e pelos intestinos, que regulam o metabolismo da glicose. As duas principais incretinas, produzidas pelas células endócrinas intestinais, em resposta à ingestão de alimentos são a GLP-1 (glucagon-like peptid-1) e GIP (Glucose-dependent insulinotropic polypeptide). Estima-se que mais de 50% da secreção de insulina, em resposta à uma refeição, seja decorrente desses hormônios.

Além disso, o DM2 apresenta frequentemente características clínicas associadas à resistência à insulina, como acantose nigrans e hipertrigliceridemia.
Explicando melhor: acantose nigrans é uma lesão de pele caracterizada por áreas escurecidas, espessas e de textura aveludada, que surgem com mais frequência nas regiões de dobras do corpo, tais como axilas, virilhas e pescoço. Costumam estar associadas a alguma doença metabólica.

O DM1 é mais comum em crianças e adolescentes. Apresenta deficiência grave de insulina devido a destruição das células beta pancreáticas, associada à autoimunidade. Sua apresentação clínica é abrupta, com propensão à cetose e cetoacidose, com necessidade de insulinoterapia plena desde o diagnóstico ou após curto período.

Pré-Diabetes é uma situação que ocorre quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas não elevados o suficiente para caracterizar um DM1 ou DM2. É um sinal de alerta do corpo importante, por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida prevenindo a evolução da doença e suas complicações. A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle.

Já o Diabetes Gestacional (DMG) ocorre temporariamente durante a gravidez. Os níveis de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificado como DM2. Toda gestante deve fazer o controle da glicemia regularmente, durante o pré-natal. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações durante a gravidez e o parto.

Alguns sintomas mais frequentes do diabetes são: fome frequente, sede constante, vontade de urinar diversas vezes ao dia, fraqueza, fadiga, perda de peso, mudanças de humor, náusea e vômito, infecções frequentes na bexiga, rins, pele, feridas que demoram para cicatrizar etc.

O que é Hipoglicemia?

É quando ocorre um nível muito baixo de glicose no sangue, situação comum em pessoas com diabetes. Para evitar a hipoglicemia ou hiperglicemia (aumento da glicose) o segredo é manter os níveis de açúcar dentro da meta estabelecida pelo profissional de saúde, para cada paciente. Essa meta varia de acordo com a idade, condições gerais de saúde e outros fatores, além de situações de risco como a gravidez.

Causas de hipoglicemia: aumentar a quantidade de exercícios físicos sem orientação ou sem ajuste correspondente na alimentação/medicação, pular refeições e horários de refeições, comer menos do que o necessário, exagerar na medicação (essa atitude, além de não trazer controle, ainda causa sérios prejuízos), ingestão de álcool etc. Em situações extremas, a hipoglicemia pode causar desmaios ou crises convulsivas que necessitam de intervenção médica imediata.

Sintomas de hipoglicemia: tremedeira, nervosismo e ansiedade, suores e calafrios, irritabilidade, confusão mental, taquicardia (coração batendo rápido), tontura ou vertigem, fome e náusea, sonolência, visão embaçada, dor de cabeça, fraqueza e fadiga, pesadelos, convulsões etc.

Fatores de risco para desenvolver o diabetes 

Além dos fatores genéticos e ausência de hábitos saudáveis, existem outros fatores de risco que podem contribuir: diagnóstico de pré-diabetes, pressão alta, colesterol ou triglicérides alto no sangue, sobrepeso (principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura), pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes, doenças renais crônicas, diabetes gestacional, mães que deram à luz crianças com mais de 4kg, síndrome de ovários policísticos, diagnóstico de alguns distúrbios psiquiátricos etc.

Complicações do Diabetes

O Diabetes quando não tratado corretamente, pode evoluir para formas mais graves e apresentar complicações como: neuropatia diabética, doença arterial periférica, úlceras, infecções, doença renal, pé diabético (são feridas que podem ocorrer nos pés e tem difícil cicatrização, sendo uma das complicações mais comuns do diabetes mal controlado), problemas oculares (glaucoma, catarata, retinopatia), pele mais sensível, alterações do humor (ansiedade, depressão), problemas sexuais (disfunção erétil, problemas de ejaculação) etc.

Tratamento

Tanto o tempo como a intensidade da hiperglicemia estão associados ao desenvolvimento e progressão de complicações micro e macrovasculares. Assim, é muito importante que se detecte o DM2 o mais cedo possível. Desta forma, devemos estar atentos ao pré-diabetes e seu potencial de progressão para DM2.

A principal medida na prevenção de DM2 é a mudança de estilo de vida, incluindo adesão a uma dieta saudável, visando redução do peso corporal em pelo menos 5% nos indivíduos com sobrepeso ou obesidade, combinada com atividade física regular. Porém, nem sempre isso é suficiente, então a terapia farmacológica pode ser recomendada em situações específicas.

Durante a pandemia do Covid-19 no Brasil, houve um aumento de casos de diabetes e de cegueira, devido a altos índices de glicose no sangue. O medo de se expor ao vírus e a dificuldade de acesso às consultas, medicamentos e tratamentos com a suspensão de serviços presenciais, principalmente entre os pacientes que dependem do sistema público de saúde, desencadeou um aumento de cegueiras, relacionadas ao diabetes.

Além disso, estima-se que o isolamento social, junto com sedentarismo, estresse e obesidade, contribuíram para o aumento dos casos. Segundo a coordenadora do departamento de Saúde Ocular da SBD, Solange Travassos, 50% dos diabéticos não sabem que têm a doença e por isso não realizam nenhum tipo de acompanhamento.

A campanha “Abra os Olhos: o Diabetes pode levar à cegueira. Consulte um especialista. Você pode mudar esta história”, com duração até o final de novembro, tem como objetivo incentivar as pessoas a retomarem sua rotina de cuidados com a saúde.

Vamos cuidar! Conscientizar.

Preservar nossa saúde é VITAL!

Dra. Silvia Saullo

Patologista Clínica/Clínica Médica

Referências:

  1. Ministério da Saúde/ Saúde de A – Z/ Diabetes Mellitus (Diabetes (diabetes mellitus) — Português (Brasil) (www.gov.br)
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes/ Diretrizes/2021 (Inicial – Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes)
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes / E-books/Público (E-books Público – Sociedade Brasileira de Diabetes
  4. “Diabetes e Cegueira no Brasil”/ 20/08/2021 (Diabetes e cegueira aumentaram no Brasil na pandemia, alertam especialistas – 20/08/2021 – UOL Notícias