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Quando você tem uma questão de saúde ou mesmo um sintoma incomum, qual a sua primeira atitude? Se você pesquisar suas dúvidas em buscadores online antes de procurar um médico, não está sozinho.

As pesquisas relacionadas à saúde requerem informações básicas e aprofundadas sobre as doenças, seus sintomas e tratamentos, correspondendo a 5% do volume do maior site de buscas do mundo.

No Brasil, conforme revelaram os dados da pesquisa encomendada pela seguradora Bupa ao Instituto Ipsos e à London School of Economie, oito em cada dez pessoas recorrem à internet como forma de autoajuda ou para socorrer familiares e amigos.

Isso coloca Dr. Google como uma espécie de “oráculo certeiro” para detalhar doenças ou mesmo indicar tratamentos.

Procurar os sintomas online é, de fato, mais confortável do que encarar um Pronto Socorro, enfrentar filas ou esperar até o dia da consulta agendada. Além disso, é de graça. No entanto, diagnosticar-se com a ajuda da internet, pode ser muito perigoso. Será que vale o risco?…

Quando esse hábito se torna recorrente e provoca ansiedade ou temor, é chamado de “Cibercondria”, formada pela junção das palavras Ciber e Hipocondria, podendo ser chamada também de Hipocondria Digital.

Partindo da observação de como se comportavam as pessoas com “doenças inflamatórias intestinais” (DII) na internet, a gastroenterologista Dra. Dídia Cury, que dirige o Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Clínica Scope, em Campo Grande (MS), decidiu montar e conduzir um estudo aprofundado, para examinar até que ponto as buscas pela rede e as mídias sociais impactam o tratamento e o bem-estar desses pacientes.

A médica relatou que muitos pacientes chegavam até ela pela internet, utilizando bastante as mídias sociais e o Google para procurar sintomas e tirar dúvidas, enquanto outros queriam, com base nas informações encontradas, se medicar ou até mesmo mudar o tratamento.

O estudo entrevistou 104 pacientes com uma média de idade de 37 anos.

A internet se transformou de fato, numa ferramenta do cotidiano: 42% dos entrevistados a utilizavam, uma vez por semana, para sanar dúvidas ou saber novidades sobre as DII, 10% diariamente, 3% duas vezes por semana e 18% uma vez por mês, sendo o Google, a principal via de busca para essas informações.

O problema é que a grande quantidade de informações disponíveis na internet, às vezes torna mais difícil a tarefa de separar os sites confiáveis das páginas criadas por quem não entende nada do assunto. E quando o tema é saúde, o cuidado deve ser redobrado.
Afinal, são conteúdos sobre sintomas, doenças e tratamentos que podem interferir consideravelmente na qualidade de vida das pessoas.

 

O que o internauta deve fazer é sempre analisar a fonte da informação que está lendo na internet, pois assim como encontramos conteúdos sérios e contextualizados em sites e mídias sociais, também nos deparamos com Fake News, trazendo informações equivocadas, que podem nos prejudicar.

 

Portais de sociedades médicas são boas fontes de informação, sites como Sociedade Brasileira de Cardiologia, Nefrologia, Endocrinologia etc. assim como os institucionais, como o Ministério da Saúde, ANVISA, Vigilância Sanitária etc.

 

Muitos desses sites, tem áreas voltadas ao público em geral, com textos, vídeos e infográficos informativos. Contém temas da atualidade e são confiáveis.

 

Existem também blogs e sites particulares criados por médicos, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais da saúde. É recomendado que se faça uma pesquisa sobre o autor das informações. É importante verificar se o profissional realmente é formado na área, e se está inscrito no seu Conselho Profissional (CRM, CFM, CFP etc.)
Uma rápida busca em um desses portais, esclarece sua dúvida.

 

Desconfie de sites que oferecem curas milagrosas, promessas de cura para doenças crônicas com métodos inovadores, promessas de juventude eterna ou a obtenção de um corpo perfeito, sem dietas nem esforço. Preste atenção às receitas “exclusivas”, que só podem ser manipuladas em uma farmácia específica… Enfim, fique atento!

 

Com relação à rede, quando inserimos nossos dados (sintomas, medicamentos, doenças pregressas etc.) estamos compartilhando informações privadas que podem ser usadas por terceiros. Há empresas que rastreiam esses dados para vendê-los.

 

Além disso, podemos ficar confusos com os resultados da pesquisa, fazer suposições erradas e entrar em pânico sem necessidade. Em partes, isso ocorre porque muitos usuários não sabem usar o campo de buscas de forma adequada, e o resultado pode vir misturando informações verdadeiras e falsas de inúmeras fontes.

 

Para piorar, tem aqueles que tiram conclusões sobre seu estado de saúde sem nem mesmo abrir os links! O usuário lê apenas os títulos dos artigos e conclui rapidamente que está com câncer terminal ou um ataque cardíaco!

 

Ainda que a página visitada contenha informações confiáveis, falta ao paciente o treinamento médico para interpretar os sintomas, junto com outras variáveis, como o histórico clínico, o exame físico completo, resultados de exames etc.
Quando o paciente passa além da pesquisa na internet à automedicação, os resultados podem ser desastrosos.

 

E o profissional de saúde, como deve lidar?

 

Se buscar informações de saúde nos sites é um hábito, que pode ser prejudicial, também é certo que ele não vai desaparecer. Por isso, é importante que o profissional de saúde aprenda a lidar com algumas situações, cada vez mais comuns:

 

  • Muitas vezes o paciente faz sua pesquisa na internet, se autodiagnostica e vem ao consultório apenas buscando uma confirmação daquilo que “acredita ser o problema”. Quando o médico dá um diagnóstico diferente do que ele imagina (o que é muito frequente), o paciente faz muitas perguntas, se sente inseguro e desconfia das habilidades do profissional. Converse bastante com seu paciente, transmita segurança nas informações e forneça indicações de sites com dados confiáveis sobre a doença, fortalecendo o vínculo médico-paciente.
  • É praticamente impossível impedir que as pessoas pesquisem informações de qualquer natureza na internet, ainda mais quando envolver uma questão de saúde. Assim, evite censurar seu paciente.
    Quando abordar o assunto oriente-o, pois, se utilizada da maneira correta, a internet pode ser de grande ajuda oferecendo esclarecimentos complementares.
    Apenas explique que essas informações não podem servir como base para um diagnóstico, sendo necessário o exame clínico completo.

 

Devo então deixar de pesquisar meus sintomas no Dr. Google?

 

Se seus dedinhos estiverem “coçando de vontade” de fazer “Aquela busca” …. pelo menos, que seja com critérios, em sites confiáveis, conhecidos e nunca deixe de ir ao seu médico de confiança!

 

Quando o médico olha nos olhos e ouve a dor do seu paciente (seja ela física ou emocional) ele faz uma consulta humanizada, baseada em ciência.
Não há informação em toda a internet que supere essa relação.

 

Quando o paciente acredita e se sente seguro com seu médico, não há Dr. Google no mundo capaz de substituí-lo!

 

VITAL É O RELACIONAMENTO HUMANO.

 

Dra. Silvia Saullo
Patologista Clínica/ Clínica Médica

 

Referências:

 

 

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