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Em vários momentos da nossa história, observamos a divulgação de informações falsas que foram dadas como verdade. Contudo, esse fenômeno conhecido como Fake News vem ganhando força após a popularização da internet e o domínio das redes sociais.

Fake News, portanto, é um termo em inglês que significa “notícias falsas”. 

Até 2016, muita gente nunca tinha ouvido falar essa expressão. Sua popularização se deu por conta das eleições norte-americanas que definiram Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. 

O termo acabou se generalizando, pois, toda notícia que não agradava Trump, ele chamava de Fake News. Essa nova maneira de se referir a notícias falsas correu o mundo, tanto que em 2017 a expressão foi considerada a “palavra do ano” pelo dicionário britânico Collins.

Mas, o que parecia ser algo temporário, continua sendo motivo de discussão até hoje, pois ao que parece elas não vão acabar tão cedo. Vieram para ficar. E vão ficar porque trazem vantagem para quem as propaga, além de mexer com o emocional das pessoas.
Já que teremos de conviver com elas, é bom estar preparado.

Ainda que esse tema seja atual, a disseminação de notícias falsas é uma estratégia muito antiga. Até meados do século XX, a história era sempre contada por aqueles que haviam ganho as guerras, os colonizadores, exploradores e outras personalidades da época.

E, a história dos vencedores, sempre teve “um pezinho” nas Fake News, ou melhor, sempre precisou de uma certa manipulação para atender aos padrões de heroísmo ou para que determinada ação parecesse mais nobre do que realmente foi. Por isso, mulheres, negros, pessoas escravizadas e países derrotados em guerras não tinham direito de darem suas versões sobre os fatos.

A partir do século XX começou um interesse pelas “histórias dos vencidos”, ou seja, foi dado aos grupos minoritários o poder de expor sua própria narrativa. Dessa forma, esses relatos acabaram fazendo uma forte oposição à visão dos vencedores e, também, foram os primeiros passos para se combater as Fake News do passado!

Hoje em dia, essas inverdades viralizam muito rápido graças ao compartilhamento das redes sociais. Sendo assim, não são apenas os grupos minoritários que podem se tornar vítimas, mas sim, todos as pessoas que em algum momento participam dessa interação.

Quando usamos o termo “viralizar”, estamos fazendo uma analogia aos vírus, ou seja, se espalham muito rápido, atingindo um número grande de pessoas. E se tornam foco de atenção por conta de um fenômeno sociológico conhecido como “pós-verdade”, através do qual a opinião pública reage mais a apelos emocionais do que a fatos objetivos.

Segundo o conceito de pós-verdade, cada indivíduo tem uma tendência maior a acreditar na informação que lhe agrada, ou que esteja mais relacionada com seus direcionamentos morais e crenças. Assim, esse indivíduo passa a excluir as possibilidades de crítica e análise para confiar cegamente na informação recebida, apenas porque ela concorda com suas crenças.

O fundamento desse conceito pode ser percebido facilmente na internet, onde as informações são repassadas de forma imediatista para um número altíssimo de internautas, criando em pouco tempo, uma “verdade fabricada” defendida por uma massa de indivíduos que acreditam na veracidade da informação.

Sobre o tema, o historiador Leandro Karnal observou que, embora seja benéfico que mais pessoas possam ter acesso à informação, a consequência natural disso é que mais pessoas desprovidas de senso crítico também terão este acesso, facilitando assim a propagação de informações falsas ou ainda não comprovadas.

 

Tipos de Compartilhamento

Nem todas as pessoas que compartilham as notícias falsas tem as mesmas intenções. Existe o repasse inocente, onde os compartilhamentos são feitos sem que o responsável pense direito sobre o conteúdo ou mesmo seus desdobramentos. Nesse caso, as pessoas não são mal-intencionadas, contudo, podem acabar se tornando parte do problema, pelo descuido em checar as fontes da informação.

Por outro lado, existem aqueles que promovem o compartilhamento com segundas intenções. Existem três tipos de interesse: o político, quando as informações são usadas para prejudicar adversários; o econômico, para ganhar dinheiro, subtraindo informações ou dados pessoais para tirar vantagem indevida; ou a terceira motivação que é a ruptura social, são aquelas notícias falsas, objetivando ver a sociedade entrar em colapso.

Os resultados vão desde cliques monetizados até atitudes mais severas como agressões físicas e psicológicas contra pessoas inocentes, ameaças a questões de saúde pública, aumento da intolerância contra homossexuais, discursos de ódio contra povos ou culturas diferentes etc.

Um exemplo disso, é a notícia “daquele chá ou erva que cura o câncer”, fazendo com que pessoas abandonem seus tratamentos convencionais para adotar “crendices” que acabam prejudicando a vida das pessoas.

Mas não para por aí. As coisas ainda podem piorar com o “deepfake”.
Esse termo apareceu em dezembro de 2017 quando um usuário do Reddit (estilizado como reddit, contração do inglês “read it”, “leia isto”, um agregador social de notícias) começou a postar vídeos de sexo falsos com pessoas famosas.
O deepfake é uma tecnologia que usa a Inteligência Artificial (IA) para criar vídeos falsos, mas realistas, de pessoas fazendo coisas que elas nunca fizeram na vida real.
Circulam agora debates sobre a ética e as consequências da tecnologia, para o bem e para o mal.

 

E como combater as Fake News?

É muito importante que haja um esforço coletivo e contínuo da análise das informações. Saber filtrar as mensagens recebidas, analisar com calma o tipo de fonte, o que o conteúdo propõe, se há links associados e quem os escreveu.

Todo autor tem o objetivo de transmitir algo, portanto é essencial saber qual era essa proposição, dessa forma diminui-se o estrago da notícia falsa.

Enfim, embora o combate a esse tipo de prática seja difícil, tendo em vista a dificuldade em identificar os responsáveis por sua veiculação, precisamos ter em mente o cuidado em detectar conteúdos que são duvidosos.

DICAS PRÁTICAS: COMO RECONHECER UMA FAKE NEWS?

  • Não tem autoria clara (Quem assina a matéria?)
  • Usam uma linguagem vibrante, exagerando sempre nos termos
  • Não tem data (assim podem ser usadas várias vezes como se fossem novas)
  • Apelam para o lado emocional, em geral em tom alarmista
  • Sempre pedem para que sejam repassadas ao maior número de pessoas
  • Geralmente são disseminadas em grupos de WhatsApp e redes sociais
  • Se receber e identificar como falsa, Não Repasse!

A verdade é que a responsabilidade é de todos nós.
Os veículos de comunicação precisam parar a produção de notícias falsas.
As redes sociais precisam encontrar formas de inibir sua propagação em grande escala.
Os órgãos públicos precisam fiscalizar e punir os responsáveis.
E os usuários precisam ter senso crítico para identificá-las e contestá-las.

 

VITAL, É CADA UM FAZER A SUA PARTE!

 

DRA. SILVIA SAULLO
PATOLOGISTA CLÍNICA / CLÍNICA MÉDICA

Referências:

  1. Revista Fleury: Edição:42: “Verdade ou Mentira?”  (Maio/2020)
    fe360890-7fdf-11ea-9110-97f67485d25d-Fleury42.pdf (cosmicjs.com)
  2. Stoodi: “Fake News: O que é, consequências”
    Fake News: o que é, consequências e como combater. Veja agora! (stoodi.com.br)
  3. Digitalks: “Como combater as Fake News?”
    Como combater as fake news? (digitalks.com.br)
  4. Wikipedia: “Reddit”
    Reddit – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)
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