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Desde que inventaram a roda e o fogo que buscamos por essa tal felicidade.
Com o surgimento da civilização esse desejo foi crescendo e sendo amplificado, a ponto da internet nos bombardear milhares de vezes, todos os dias sobre “como ser Feliz, com F maiúsculo, o tempo todo”.

Será mesmo? Isso é possível? E mais…. será que é realmente nosso desejo?

Há quem acredite que ela vem com os bens materiais, outros confiam no avanço espiritual, na rede de amizades, realização profissional, luta por um ideal, e por aí vai. A lista é grande. 

Livros foram escritos, receitas de felicidade, peças encenadas e músicas compostas com promessas de respostas – sem muito sucesso.

Quando se fazia essa pergunta há 20 ou 30 anos, geralmente a resposta estava atrelada a um vínculo amoroso. Com o tempo, isso foi mudando e hoje, não basta ter alguém, tem que ser “Aquele Alguém”! Mas não é só isso, tem a busca pela ascensão profissional, e muito mais…

A questão é que essa busca, apesar de toda literatura de auto-ajuda dizer que “só depende de você”, vem se tornando um fardo muito pesado.
Na verdade, nada depende só da gente. Minha felicidade depende de múltiplas relações com família, amigos, parceiros, além de um contexto social onde estou inserida.

A busca pela felicidade nos força a construir, estudar, trabalhar, economizar, juntar e gastar dinheiro, ter filhos, casar-se, separar e até brigar.
Mas tudo isso são sensações provisórias, e toda conquista vem seguida de uma nova necessidade, que continua nos movendo adiante. Por isso é considerada por alguns, como uma estratégia para seguir em frente.

Para o filósofo Mario Sergio Cortella “felicidade é uma ocorrência eventual”. É um estado transitório a ser desfrutado e não uma meta a ser alcançada. Para Cortella, se a felicidade fosse perene, morreríamos de tédio.
“Grande parte de nossos bons sentimentos só vem à tona por causa de sua carência. Um copo de água é ótimo quando temos sede. Mas se precisamos tomar seis copos para fazer um exame de ultrassom, isso se torna extremamente desagradável”, explica.

O risco dessa busca desenfreada é cair no oposto, a infelicidade.
A ostentação generalizada de felicidade nas redes sociais pode resultar em frustrações, gerando o grande aumento dos casos de ansiedade, depressão e até suicídio entre jovens.

Como diz o filósofo Eduardo Giannetti, é preciso distinguir as emoções: uma coisa é “estar feliz”, um estado de ânimo que descreve como nos sentimos em determinado momento. Outra, é “ser feliz”, bem mais ampla, que envolve a avaliação de uma trajetória de vida.

Outro risco é a medicalização da infelicidade. Precisamos separar a tristeza da depressão. “Se a pessoa sofre com depressão, precisa se tratar e ser medicada. Já a tristeza é um sentimento inerente à vida e precisa ser vivenciada para que a dor seja superada”, alerta Dr. Antonio Guerra, psiquiatra do Hospital Sirio Libanês.

Na verdade, um dos motivos pelos quais a felicidade é tão difícil de alcançar é que nem sabemos exatamente o que ela significa.

Não há um ideal que faça sentido para todo mundo. A riqueza, o carro, a casa bonita… o que faz uma pessoa muito feliz pode matar outra de tédio.

Cortella afirma também que a maneira como avaliamos nosso bem-estar, depende de nosso nível de expectativa. Se for muito baixo, tendemos a nos considerar felizes. Se for alto demais, vamos nos sentir, frustrados e infelizes.

Talvez por isso, as pessoas hoje se sintam menos felizes, porque a expectativa subiu muito. Com tanto acesso à informação, podemos fazer mais comparações e concluir que temos menos do que eles, para alimentar nosso estado de felicidade.

FELICIDADE GLOBAL

O sentimento de felicidade é tão caro para a humanidade que ocupa as preocupações da ONU (Organização das Nações Unidas) que desde 2012 publica o World Happiness Report, Relatório Mundial da Felicidade.
A edição de 2021 foi divulgada focando os efeitos da pandemia e como as pessoas ao redor do mundo reagiram.

A classificação do WHR não se alterou significativamente e os mesmos países permaneceram no topo. A Finlândia segue no primeiro posto, como no ano anterior, seguida pela Dinamarca, Suiça, Islândia, Holanda, Noruega, Suécia, Luxemburgo, Nova Zelândia e Áustria. O Brasil caiu da posição 32º para o 35º lugar.

Dentre as descobertas destacadas pelo WHR está a de que os mesmos seis fatores que apoiam o bem-estar (renda, saúde, alguém com quem contar, liberdade, generosidade e confiança) continuam a fazê-lo quase exatamente da mesma maneira que nos anos anteriores.A confiança se mostrou o principal fator de felicidade em tempos de Covid-19. 

E O QUE ESPERAR DE 2022?

Giannetti diz que podemos escolher entre dois caminhos na busca para a felicidade: transformar o mundo para que ele chegue mais perto do que desejamos ou adaptar nossos desejos para que as condições do mundo não nos levem à infelicidade.

Resumindo: é o dia a dia e a maneira como reagimos às situações mais banais, que definem nosso nível de felicidade.

Esqueça as receitas, as fórmulas mágicas, se preocupe menos e não faça da felicidade um fim em si, deixe que ela seja consequência da maneira como você leva a vida.

Afinal, Viver Bem é Vital e nos faz feliz.

 

DRA. SILVIA SAULLO
Patologista Clínica/ Clínica Médica

 

Referências bibliográficas

 

  1. Revista VIVER – Hospital Sírio Libanês- Edição 20
    viver_20.pdf (hospitalsiriolibanes.org.br)
  2. Revista Fleury – “Ser Feliz” – Edição 30
    Ser Feliz é… | Revista Fleury Ed. 30 › Notícias | Fleury Medicina e Saúde
  3. Pausa para a felicidade: “Felicidade mundial em 2021”
    Felicidade mundial em 2021 – Pausa pra Felicidade
  4. WHR: World Happiness Report – 2021
    WHR+21.pdf (happiness-report.s3.amazonaws.com)