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Julho Verde e os cuidados na prevenção do câncer de cabeça e pescoço.

Sabemos que em meio à pandemia, toda a atenção tem sido focada no coronavírus, mas não podemos esquecer de que outras patologias continuam a existir e necessitam de nossos cuidados.

Nesse mês, chamamos a atenção para os tumores de cabeça e pescoço que nesse ano devem atingir cerca de 35 a 40 mil pessoas, segundo o médico Antonio José Gonçalves, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

O câncer localizado nessas regiões chega a ser o terceiro em incidência entre os homens brasileiros e representa 7,9% dos novos casos em 2020, estimados pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer).

Dr. Gonçalves relata: “Dentre as principais localizações, nas mulheres, o câncer de tireoide deve registrar 12 mil novos casos. Entre os homens, serão 11 mil novos casos de câncer de boca e aproximadamente 6,5 mil novos casos de tumores na laringe. Além disso, esse tipo de tumor acomete a pele da face e do pescoço, a faringe, as glândulas salivares, os seios paranasais e outras localizações em que a repercussão no paciente é extremamente importante”, por isso a informação sobre a prevenção é tão importante.

A fundadora e presidente voluntária da ACBG Brasil – Associação de Câncer de Boca e Garganta, que promove a quarta edição do Julho Verde, Melissa Ribeiro, sobrevivente de um câncer de laringe, dá seu depoimento dizendo que se nos conscientizarmos sobre os danos causados no corpo com o consumo de substâncias como o tabaco em todas as suas apresentações e o álcool, se cuidarmos da nossa alimentação, se vacinarmos nossos jovens contra o HPV, podemos ter uma chance de mudar a incidência crescente dessas patologias.

Esse ano o lema da campanha é: “Seu corpo é sua vida! Não o destrua!”

Tendo em vista que o tratamento altera a estética facial, com a deglutição e alimentação, fala e voz, é muito importante que se faça um diagnóstico precoce, preservando e adequando melhor a conduta.

Então, quais seriam as recomendações?

Antes de mais nada, procurar logo um médico a qualquer sinal diferente no corpo, como uma ferida na boca com cicatrização difícil há mais de 15 dias, dificuldade ou dor para engolir ou voz rouca por muito tempo.
Como de um modo geral são “pequenos sinais”, as pessoas tendem a não valorizar muito, retardando assim o diagnóstico.

Só para ficarmos atentos, o câncer de tireoide, que atinge três vezes mais as mulheres do que os homens, surge entre os 20 e 65 anos e seu principal sintoma é o aparecimento de um nódulo palpável na região do pescoço. Além disso pode haver inchaço ou dor na parte anterior do pescoço, rouquidão ou outras alterações na voz que não desaparecem, dificuldade para engolir, problemas respiratórios ou mesmo tosse constante.

Os hormônios tireoidianos podem contribuir com o diagnóstico. Fatores de risco mais comuns são exposição à radiação no pescoço, algumas síndromes genéticas e história de doença ou bócio na família.

Nessa região de cabeça e pescoço, as estruturas são muito próximas. Assim, quando um tumor é diagnosticado numa fase mais avançada (fato frequente no Brasil), ele já está maior e acometendo outras regiões, o que torna o tratamento mais agressivo, podendo deixar sequelas para sempre.

E como podemos prevenir? Evitando os fatores de risco.

Os principais são tabaco (incluindo o uso de cigarro comum, cigarro eletrônico e narguilé) e o consumo de bebidas alcoólicas. Outro fator que merece atenção especial é a infecção pelo HPV (Papilomavírus humano) que muito tem contribuído para a incidência de câncer na boca, principalmente nos jovens. Esta é uma tendência mundial, que ocorre também no Brasil, mas pode ser modificada com a vacinação e uso de preservativos.

Não podemos deixar de mencionar o câncer de pele, melanoma e não melanoma, cuja exposição indevida ao sol, principalmente na infância e adolescência, torna-se um grande fator de risco.

Com relação ao tratamento para essas patologias, é sempre multidisciplinar, envolvendo vários profissionais da saúde. As diferentes condutas vão depender da localização do tumor primário, idade, presença de comorbidades, etc… e incluem cirurgia, sessões de radioterapia e quimioterapia, além de outras medicações.
Muitas vezes, a doença deixa sequelas físicas, estéticas, psicológicas e funcionais, por isso a prevenção e detecção precoce se tornam tão importantes.
Vamos nos cuidar?… afinal, “VITAL É TER UM CORPO SAUDÁVEL!”

Dra. Silvia Saullo
Patologista Clínica/Clínica Médica

 

 
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