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Orientações da OMS sobre Saúde Mental durante a pandemia.

O Setembro Amarelo é uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

É uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. Esse mês foi escolhido porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros tiram a própria vida por dia, em média.

Preocupados com os impactos da pandemia e todos os seus desdobramentos, optamos por trazer orientações sobre a saúde mental, a partir desse documento fornecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), liberado em março deste ano.
Vamos dividir em grupos e tentar resumir os principais pontos. O link para o documento original pode ser acessado nas referências.

RECOMENDAÇÕES DE SAÚDE MENTAL NA COVID-19

1. POPULAÇÃO GERAL

•    Evite as notícias que aumentam a ansiedade ou que causem uma sensação de angústia. Busque informações em fontes confiáveis (ex.: OMS ou autoridades locais) apenas uma ou duas vezes ao dia;

•    Proteja-se e ajude quem precisa. Ex.: ligue para os seus vizinhos e pergunte se eles precisam de ajuda;

•    Não associe a identidade de uma pessoa ao vírus, pois poderia criar um estigma.
Trate o assunto com respeito;

•    Respeite e valorize os profissionais de saúde e cuidadores que estão trabalhando com as pessoas infectadas com Covid-19;

•    Ajude a divulgar mensagens ou histórias positivas de pessoas que se recuperaram.

2. POPULAÇÃO EM ISOLAMENTO

•    Nos momentos de estresse, preste atenção aos seus sentimentos e necessidades. Procure fazer atividades físicas agradáveis e relaxantes de forma regular; mantenha uma rotina de sono e de alimentação saudável e, mantenha a perspectiva;

•    Sempre se mantenha conectado. Mesmo em isolamento, tente manter sua rotina diária, através das redes sociais, e-mails, telefonemas ou videoconferências.

 3. GESTORES DA ÁREA DE SAÚDE E LIDERANÇAS

•    Proteja os funcionários de saúde do estresse crônico ou de problemas de saúde mental, pois isso ajudará no desempenho da função. É necessário pensar na capacidade laboral em longo prazo;

•    Garanta informações de qualidade, atualizadas e confiáveis para todos os trabalhadores. Além disso, promova rodízios entre os profissionais de saúde para que alternem atividades mais e menos estressantes; coloque um funcionário menos experiente junto a um mais experiente; encoraje e inicie intervalos no trabalho;

•    Garanta que os profissionais saibam onde encontrar auxílio psicológico ou voltado para a saúde mental, ou, pelo menos, facilite o acesso a estes. Os próprios gestores também sofrem com muita pressão e estresse e podem se beneficiar desta medida;

•    Avalie as queixas ou sintomas relacionados à saúde mental (ex.: transtorno ansioso ou depressivo grave, síndrome do pânico, etc.) e ajude no encaminhamento ao profissional especializado;

•    Mantenha sempre um bom canal de comunicação, onde o funcionário possa recorrer, caso sinta essa necessidade.

 4. FUNCIONÁRIOS DA ÁREA DE SAÚDE

•   É possível que o profissional ou mesmo toda a equipe de saúde sinta-se estressada, o que pode ser considerado normal diante das circunstâncias. Mas lembre-se: o estresse e os sentimentos associados não são um sinal de fraqueza ou de que você é incapaz de realizar o seu trabalho. Tente administrar o estresse e seu bem-estar psicossocial, pois isso é tão importante quanto cuidar da sua saúde física;

•    Ao tentar se comunicar com uma pessoa com déficits cognitivos, psicossociais ou intelectuais, tente ser o mais claro possível. Sempre que possível, inclua formas de informação não verbais;

•    Cuide-se! Quando for possível, use estratégias de enfrentamento e faça pequenos intervalos no turno de trabalho; garanta sua hidratação e alimentação; pratique atividade física e mantenha contato com amigos e familiares. Evite o tabagismo ou o uso de álcool ou drogas, pois em longo prazo pode haver comprometimento da saúde mental e do seu bem-estar físico.

 5. PARA IDOSOS, PORTADORES DE COMORBIDADES E SEUS CUIDADORES

•    Idosos, especialmente aqueles em isolamento, com quadros demenciais ou alterações cognitivas, podem se sentir mais estressados, ansiosos, agitados ou com raiva neste momento de quarentena/crise. Dessa forma, deve-se tentar garantir suporte emocional, especialmente a partir de familiares e profissionais de saúde;

•    Compartilhe informações simples e claras sobre o que está acontecendo e como reduzir o risco de infecção, adaptando, quando necessário, a linguagem para que aqueles com prejuízo cognitivo possam compreender o que está acontecendo. Repita essas informações sempre que for necessário e as comunique de forma clara, concisa, paciente e respeitosa;

 •    Se você apresentar alguma comorbidade, tente garantir o acesso a todas as medicações que esteja usando. Garanta suas medicações regulares por pelo menos duas semanas. Caso apresente qualquer sintoma diferente, relativo à sua doença de base, entre imediatamente em contato com o seu médico ou agende uma consulta para reavaliar o quadro;

•    Aprenda e faça exercícios físicos simples regularmente. Isso ajuda a manter a mobilidade e diminuir o tédio. Mantenha contato com pessoas queridas (através de e-mails, telefonemas, etc.)

 6. PAIS E CUIDADORES DE CRIANÇAS

•    Nesta época de crise, as crianças podem estar mais apegadas. Converse e explique o que está acontecendo, adaptando o discurso para a idade delas. Caso estejam ou fiquem preocupadas, tente reuni-las ou ficar mais próximo delas para aliviar suas ansiedades. Lembre-se de que as crianças buscam nos pais ou adultos próximos exemplos de como devem lidar com as suas emoções e reagir nos momentos de dificuldade;

•    Tente buscar maneiras positivas através das quais as crianças possam expressar seus sentimentos (medo ou tristeza). Lembre-se de que cada criança tem uma maneira única de se expressar e dividir seus sentimentos pode-lhes trazer alívio. Exemplo: atividades criativas, jogos ou fazer desenhos;

•    Na medida do possível, tente manter ou criar uma rotina, especialmente se as crianças também estiverem de quarentena. Tente envolvê-las em atividades próprias para a idade, inclusive estudos, e estimule que continuem brincando e se socializando da maneira que for possível (a Internet pode ser uma fonte de ideias para jogos e brincadeiras).

Com relação ao suicídio, o Conselho Federal de Medicina – CFM e Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP firmaram parceria para combater os altos índices de suicídio no Brasil. Segundo dados, 17% das pessoas no Brasil já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. Por isso, as duas entidades se empenharam em criar uma cartilha para orientar os médicos e profissionais da área de saúde em casos de tentativa de suicídio ou para identificarem possíveis casos em seus pacientes.

A Cartilha “Suicídio – Informando para prevenir” (Edição de 2014) contém dados relevantes sobre como abordar um paciente, mitos e o comportamento suicida, fatores de risco e de proteção (como identificar o paciente suicida), manejo, etc.
Uma leitura recomendada a médicos e profissionais da saúde.

Por mais que se tente abranger, esse tema é um assunto difícil e delicado. Então preferimos encerrar com as palavras de Cora Coralina:

“Desistir… eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério;
É que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.”

 

Viver é Vital!

Referências bibliográficas:

 
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