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SETEMBRO AMARELO

O suicídio ainda é um tabu em nossa sociedade. Assunto difícil de tocar e um terreno minado a ser percorrido. Tanto que muitas famílias procuram esconder a situação quando alguém decide tirar a própria vida.
Mas para uma prevenção efetiva, é preciso que a sociedade fale abertamente sobre o assunto.

Com o mundo inteiro focado no Coronavírus, o assunto suicídio não pode ficar para trás. Até mesmo porque os efeitos da quarentena são inegáveis, com o isolamento social e a interrupção de atividades, como fatores que contribuíram para que muitas pessoas tirassem suas vidas.

O suicídio não é um fenômeno recente, mas percebemos a gravidade do problema quando olhamos os números que tem impactado tão fortemente os órgãos internacionais de saúde. Segundo Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de um milhão no mundo.
Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens (segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo). Cerca de 96,8% dos episódios, estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Ainda não há gráficos oficializados sobre o aumento de suicídio neste período de pandemia, o que não significa que esse aumento não possa vir a existir. Mas é notável que toda essa situação de tensão, angústia, isolamento social e uma perspectiva incerta de quando voltaremos a normalidade, acaba sendo um grande incitamento para aqueles que já pensavam em cometer o ato.

Em 2014, a ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) organiza nacionalmente o setembro Amarelo, que tem como objetivo prevenir e reduzir esses números, com o apoio de toda sociedade brasileira. O dia 10 deste mês é oficialmente, o “Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”, mas a campanha acontece durante todo o ano.

E como posso ajudar?

Segue uma lista de dicas, para que todos nós possamos aderir ao Setembro Amarelo e contribuir para diminuir essa estatística tão triste:

  1. Transtornos Mentais: quase todas as pessoas que cometeram suicídio tinham pelo menos um transtorno psiquiátrico. Assim, a identificação e o tratamento dessas doenças estão entre os principais fatores de proteção.
  2. Histórico Pessoal: Pessoas que já tentaram suicídio tem cinco a seis vezes mais chance de tentar novamente.
  3. Ideação suicida: Expressões que demonstrem desespero, desesperança devem ser sinais de alerta. Ex: “Eu preferia estar morto”, “Caso não nos encontremos de novo” etc…
  4. Fatores de stress crônicos e recentes: separação conjugal, perda de entes queridos, falência, perdas econômicas, de emprego etc… podem estar associados com pensamentos suicidas.
  5. Organizar detalhes e fazer despedidas: mensagens nas mídias sociais, testamentos, doações, acúmulos de comprimidos, ou mesmo “comportamentos de despedida”, devem ser valorizados.
  6. Meios acessíveis para suicidar-se: acesso a armas de fogo, medicação em grande quantidade etc.
  7. Impulsividade: o impulso é geralmente transitório e pode estar presente em jovens e adolescentes. A impulsividade pode ser acentuada na presença de abuso de substâncias.
  8. Eventos adversos na infância e adolescência: ter sofrido maus tratos, abuso físico, sexual ou psicológico na infância. Lembrar que a queda no desempenho escolar pode ser reflexo de um transtorno psiquiátrico não diagnosticado.
  9. Motivos aparentes ou ocultos: para algumas pessoas a morte pode ser “um meio de acabar com a dor”, “encontrar descanso”, “sair do sentimento momentâneo de infelicidade”. Comentários desse tipo, devem ser sinal de alerta.
  10. Presença de outras doenças: problemas crônicos, neoplasias em fase terminal, podem ser fatores de risco. Acompanhamento é importante.

Essas são algumas orientações com relação à fatores de risco e sinais de alerta, dadas pela ABP na campanha Setembro Amarelo. Muitas outras informações e leitura complementar podem ser vistas, acessando o site:
Setembro Amarelo – Prevenção ao Suicídio – Brasil

Gostaria de chamar atenção também, que muitas vezes, o familiar ou amigo quer ajudar, mas acaba atrapalhando com comentários inadequados. Evite dizer frases do tipo: “isso passa, não é nada”, “é só uma fase, todo mundo tem”, “mergulhe de cabeça no trabalho e você esquece tudo”, “nossa, achei que já tinha superado isso”, “tem gente bem pior que você” …

As pessoas têm maneiras diferentes de lidar com os problemas, o que para uns é muito simples, para outros pode ser de grande complexidade.
Portanto, não devemos menosprezar a dificuldade do outro. Se não souber o que falar, apenas escute, ou se mostre presente e disposto a ajudar. Não adianta dizer “me ligue quando precisar”, a pessoa com depressão não vai ligar, pois não consegue pedir ajuda. Então, ligue você. Mande uma mensagem. De alguma maneira, se faça presente.

Cerca de 17% dos brasileiros já pensaram em se matar alguma vez na vida.
Não hesite em pedir ajuda! Caso não tenha acesso a um psicólogo ou psiquiatra, converse com uma pessoa querida, próxima a você.
Pode ligar também para o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo 188 (ligação gratuita) ou pelo site www.cvv.org.br 

Porque sabemos que ACOLHER É VITAL!

Dra. Silvia Saullo
Patologista Clínica/Clínica Médica

Referências:

Blog Vital Brazil