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O QUE É? PANORAMA ATUAL

A Organização Mundial da Saúde (OMS), na 11a. Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), publicada no dia 28 de maio de 2019, detalhou a Síndrome de Burnout:

“O esgotamento é uma síndrome conceituada como resultado do estresse crônico no local de trabalho. É caracterizada por três dimensões: a) sentimentos de esgotamento ou exaustão de energia, b) aumento da distância mental do trabalho ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionado ao trabalho, c) eficácia profissional reduzida.”

Para a ONU Brasil, a síndrome não é classificada como doença ou uma condição de saúde, mas um fenômeno ocupacional, de acordo com a OMS.

A pandemia da Covid-19 tem contribuído para um aumento de Burnout em profissionais da saúde. Segundo um estudo transversal, realizado pela PEBMED, a prevalência da síndrome é de 83% nos médicos que estão na linha de frente, e 71% naqueles que não estão atuando no combate ao coronavírus.

Tornando mais claro, Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.

Por isso, profissionais que atuam diretamente sob pressão e com grandes responsabilidades tornam-se alvos mais frequentes (Ex: médicos, enfermeiros, policiais, jornalistas etc.).

De acordo com dados da International Stress Management Association, 33 milhões de brasileiros sofrem com a doença, que se agravou no momento atual.

A pressão no home office, as incertezas com o futuro, o medo da demissão e as responsabilidades fizeram com que os trabalhadores (principalmente da área de saúde) se sobrecarregassem ainda mais, desenvolvendo não só o Burnout, como uma série de outras doenças.

QUAIS OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA SÍNDROME?

O estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença.

Além disso: cansaço excessivo físico e mental, dor de cabeça frequente, alterações no apetite, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança, negatividade constante, sentimentos de derrota e desesperança, sentimentos de incompetência, alterações repentinas de humor, isolamento, fadiga, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais e alterações nos batimentos cardíacos.

Esses sintomas surgem de forma leve, mas tendem a piorar com o passar dos dias, por isso muitas pessoas acham que pode ser algo passageiro.

Segundo a pesquisa da PEBMED, trabalhar no combate à Covid-19 foi o fator que mais contribuiu para o esgotamento dos profissionais, mas outros fatores também foram relevantes, como:

Estar na linha de frente; Maior demanda do que recursos; Relacionamento ruim com a liderança imediata; Piores condições de trabalho (principalmente em hospitais públicos); Menor resiliência do profissional; Menor segurança psicológica no ambiente de trabalho; Sexo feminino; Alta carga horária; Profissionais mais jovens e maior medo de contaminação dos familiares.

Essa pesquisa foi feita com 3.613 participantes (2.932 médicos, 457 enfermeiros e 224 técnicos de enfermagem) em setembro de 2019.

Em 2020, a Medscape/Português fez um novo estudo: “Estilo de Vida e Burnout Médico no Brasil.” Este levantamento foi feito entre 09 de junho e 23 de agosto de 2020, com 2.475 médicos brasileiros e apontou que o Burnout tem se mostrado um desafio.

Um em cada dez médicos que responderam anonimamente ao questionário on-line confessou que pensa em abandonar a medicina por conta dos problemas vivenciados na saúde brasileira (pública e privada) agravados de forma avassaladora com a pandemia.

A pesquisa esse ano vem com uma novidade: um recorte por gerações, divididas em Geração Z (menos de 25 anos), Millennials (25 a 39 anos), geração X (40 a 54 anos), Baby Boomers (55 a 73 anos) e a geração silenciosa (mais de 73 anos).

Os Millennials, grupo entre 25 a 39 anos de idade, são os campeões de Burnout e depressão. Segundo a pesquisa, 53% dos que responderam, normalmente trabalham mais que 40 horas por semana. Um terço dos entrevistados revelou já ter tido pensamentos suicidas.

Com relação a mudanças na atitude, em 2020 a prática de exercícios físicos ficou em primeiro lugar na amostra geral, entre a geração X e os Baby Boomers. Já os Millennials preferem dormir para combater o Burnout.

Na amostra desse ano, a porcentagem de médicos que respondeu ter uma religião ou crença espiritual aumentou para 77%. Também foram maioria (88%) os que acreditam que a religião/espiritualidade os ajuda a lidar com os desafios da profissão.

Quanto a mudanças na clínica: redução nas horas de trabalho e modificações na atuação profissional foram as opções mais adotadas pelos participantes.

O diagnóstico da síndrome é feito por profissional especialista, após análise clínica do paciente. Muitas pessoas não procuram ajuda por não saberem, ou simplesmente acreditarem que é algo simples e passageiro.

Se você tem dúvidas, procure um médico. Não deixe a situação se agravar.

Ficam aqui algumas dicas que podem ajudar:

1. Experimente “momentos de quietude”, por exemplo, reduzir a frequência com que olha seu e-mail; recusar mais um projeto, se já estiver sobrecarregado, ou se não for possível, experimente começar com alguns momentos durante o dia, para ouvir uma música ou simplesmente contemplar uma paisagem.

2. Descubra “sua paixão” e faça dela uma aliada no trabalho. Se você gosta muito de música, por exemplo, ou algum outro tipo de arte, busque a possibilidade de introduzir isso na sua rotina. Vai quebrar a monotonia e alavancar muito o trabalho.

3. “Se desconecte”, mesmo que seja por alguns momentos. Escolha um horário, que não vá interferir na sua rotina. Desligue o celular e não permita que ninguém se apodere do seu tempo! Use esse período só para você: assista um filme, medite, faça uma caminhada, namore…. faça um “Detox Mental”. Ficará espantado com o resultado. E aos poucos, sem ansiedade, introduza isso na sua rotina, ao menos um pouquinho por dia.

4. “Foco e disciplina”: concentre-se em ações que impulsionam seu trabalho. Não desvie a atenção com as redes sociais, e-mail sem importância ou outras questões que absorvam seu tempo. Otimize a rotina. Priorize tarefas e seus objetivos serão concluídos, liberando mais tempo livre.

O LABORATÓRIO VITAL BRAZIL se preocupa com todos os profissionais de saúde e se coloca à disposição para contribuir com mais esse cuidado. Sem deixar de lado, é claro, todas as outras profissões, também expostas ao esgotamento, que demandam nosso carinho e atenção.

Dra. Silvia Saullo

Patologista Clínica/Clínica Médica

Referências:

1. Portal PEBMED: “Burnout em profissionais de saúde durante a pandemia Covid-19”

Site: pebmed.com.br

2. Medscape/Português: “Estilo de vida e Burnout médico no Brasil 2020”

Endereço eletrônico: https://portugues.medscape.com