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A chamada Síndrome pós-Covid reúne uma série de sintomas: cansaço, falta de ar, dores musculares, nas articulações e no peito.

Após um ano de pandemia no Brasil, já começamos a registrar em estudos os sintomas apontados pelos pacientes após a fase aguda da doença. Entre eles: dor de cabeça persistente, perturbação do sono, alteração do olfato e paladar que também podem resultar em perda ponderal.

Essas alterações são mais comuns em pacientes que tiveram quadro grave, com internações prolongadas, mas pacientes com quadros leves ou moderados também podem apresentar sequelas.

A infectologista Michele Higa Fróes, coordenadora do Departamento de Infectologia do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), cita a fibrose pulmonar (cicatriz da inflamação pulmonar) como a sequela mais frequente relacionada ao trato respiratório, causando sintomas como tosse crônica e dificuldade de respirar. “Tosse arrastada, dor no peito e fôlego curto são as principais queixas desses pacientes.”

Mas há também relatos de problemas cardiovasculares como arritmias e insuficiência cardíaca, que podem ser uma consequência da inflamação do músculo cardíaco (miocardite), que pode ocorrer durante a infecção.

Outros sintomas como esquecimento, déficit de atenção e memória também são mencionados.

A Covid-19 atravessa o sistema nervoso provocando inflamação, como uma encefalite viral, podendo levar a processos desmielinizantes, como a Síndrome de Guillain-Barrè, condição na qual o sistema imunológico atinge os nervos periféricos, levando a formigamentos, dificuldade motora e perda de forças dos membros.

Nos idosos, pode evoluir para um declínio cognitivo ou mesmo sequelas psicológicas, como a depressão.

É cedo ainda para se determinar o tempo em que estes problemas podem ocorrer. Em alguns pacientes, os sintomas aparecem 15 a 20 dias após a fase aguda, em outros até 3 meses depois ou mais, dependendo da gravidade da infecção. Por enquanto, essas ocorrências são relatadas em pacientes que testaram positivo e tiveram sintomas de Covid-19.

Uma pesquisa feita com pacientes recuperados de Covid-19, acompanhados pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, revelou que 64% têm algum sintoma persistente seis meses depois do início dos sintomas.

Os mais relatados foram: fadiga falta de ar, dor de cabeça, perda de força muscular, dificuldade para enxergar ou incômodo nos olhos.

O projeto chama-se Recovida e acompanha, desde maio de 2020, sobreviventes da Covid-19 para observar as repercussões da doença. Os pacientes foram divididos nos grupos leve (com sintomas leves), moderado (que necessitaram de internação com suporte ou não de oxigênio) e grave (sintomas graves, internação, UTI, intubação ou complicações).

Usando esses critérios, a pesquisa identificou 14,7% de casos leves, 44,6% moderados e 40,7% de casos graves. Embora os resultados sejam preliminares, a pesquisa mostra que os sintomas são comuns e perduram bastante tempo, chegando até seis meses do início dos sintomas.

O Recovida é um estudo do tipo “guarda-chuva” que trabalha e compartilha dados com outros profissionais, além de oferecer aos pacientes recuperados da Covid-19 uma avaliação completa.

Mas é necessário ainda um acompanhamento destes pacientes para avaliar até quando os sintomas persistem e quais consequências podem gerar em longo prazo.

Nossa recomendação é que todos os pacientes, após uma infecção pelo Covid-19, façam um check-up cardiológico e pulmonar.

E, na persistência de qualquer sintoma, procure seu médico para uma orientação e acompanhamento.

Dra. Silvia Saullo
Clínica Médica/Patologia Clínica

Referências:

Síndrome pós-Covid: as sequelas são muitas e precisam de atenção e tratamento. https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/coronavirus/index.php?p=291730

Jornal da USP: Dados preliminares mostram que 64% dos recuperados de covid têm sintomas persistentes
https://jornal.usp.br/ciencias/dados-preliminares-mostram-que-64-dos-recuperados-de-covid-tem-sintomas-persistentes/