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Entenda como funcionam os três tipos de testes para Covid-19.

Neste post, vamos falar do diagnóstico do coronavírus de uma forma bem simples, para que todos possam entender.

Para começar, vamos dividir os exames disponíveis no Laboratório Vital Brazil em dois grupos. Vamos falar de cada um deles, ressaltando que são exames que podem ser utilizados para auxiliar o diagnóstico da infecção pelo novo coronavírus, desde que suas restrições sejam conhecidas e os resultados interpretados corretamente.

 

 1. PCR Covid-19

Este teste é realizado mediante a coleta de swab (uma haste com ponta de algodão) de secreção de orofaringe (fundo da garganta) e nasofaringe (fundo do nariz). É feito pela metodologia de reação em cadeia de polimerase (PCR), que permite a detecção de material genético para a identificação direta do vírus.

Vantagens: como o teste pesquisa diretamente o vírus, pode ser feito nos primeiros dias de início de suspeita de infecção. Pelo Ministério da Saúde, o padrão ouro para o diagnóstico do novo coronavírus é o PCR COVID 19, pois, como vimos, este pesquisa o RNA (carga genética) do vírus e, para tanto, quando positivo, é verdadeiramente positivo, pois indica que o material genético do vírus foi encontrado, confirmando o diagnóstico e a infecção.

Desvantagens: por ser uma técnica específica, demora alguns dias (cerca de 3 a 5 dias) para o resultado ser liberado e precisa de pessoas habilitadas para a realização da coleta e da análise.

Outra questão importante é que, após a melhora do quadro e recuperação do paciente, ou seja, quando ele já não está mais infectado e não transmite o vírus, o exame passa a ser negativo. Sendo assim, o teste só é positivo se a coleta for feita no momento em que o paciente está com a infecção pelo vírus.

Desta forma, como nenhum exame laboratorial apresenta 100% de especificidade (capacidade de dizer que é negativo quando não há doença) e 100% de sensibilidade (capacidade de dar positivo quando há doença), este teste também pode apresentar “falso negativo” quando o paciente está com uma quantidade de vírus muito baixa a ponto de não ser encontrado pelo limite de detecção do teste, por exemplo, muito no início da doença. Também pode vir negativo quando já não há mais sinais e sintomas, no caso de remissão da doença.

Indicações: para os pacientes que apresentam sintomas, este é o teste de escolha, pois pode ser feito desde o primeiro dia do quadro. Ou seja, este exame só é indicado caso haja suspeita de uma infecção vigente, quando o vírus estará circulando no organismo e o paciente está transmitindo o mesmo, caso contrário, ele será negativo.

Também está indicado para os pacientes que já testaram positivo e querem saber se negativaram a carga viral e deixaram de transmitir o vírus. Para este propósito, deve ser feito após a melhora do quadro e/ou após cerca de 10 a 15 dias do início dos sintomas (conforme orientação do médico assistente).

2. Teste rápido sorológico IgM e IgG para coronavírus

Este teste é realizado mediante a coleta de sangue venoso (punção de uma veia). O exame é feito pela metodologia de Imunocromatografia, buscando encontrar anticorpos produzidos pelo corpo contra a infecção pelo coronavírus.

Vamos fazer uma breve análise para falarmos de alguns conceitos importantes, antes de seguirmos com a explanação deste teste.

Os anticorpos são células de defesa que surgem em pacientes que foram expostos ao coronavírus.

O IgM é um anticorpo de defesa que é produzido mais rápido e, por isso, é menos específico ao vírus, mas é nossa primeira linha de defesa. Em outras palavras, o corpo sabe que pode fazer melhor, e vai continuar trabalhando para isso, mas, de início, para não ficar sem defesa, acaba enviando estes anticorpos para o combate ao vírus. Por isso, quando estes anticorpos estão positivos isoladamente significa que há uma infecção mais recente e aguda.

Para ficar mais fácil de entender, veja o desenho a seguir.

O IgG é um anticorpo que é mais demorado para ser produzido, pois é mais específico e duradouro. Lembra que o corpo sabia que podia fazer melhor?

Pois é, ele consegue chegar ao que precisamos. E quando ele acha a fórmula certa, guarda como se fosse uma receita de bolo, e é isso que nos confere a chamada imunidade (quando só IgG é positivo).

Por isso, normalmente quando só o IgG está positivo nos remete a uma infecção passada.

Contudo, quando o IgG está positivo em associação com o IgM (ou seja, ambos positivos), eles falam a favor de uma infecção em andamento ou em fase de recuperação.

Quanto ao teste rápido, pesquisamos tanto IgM quanto IgG.

Vantagens: por ser um teste rápido, é utilizado para triagem dos pacientes, já que o laudo é liberado no mesmo dia. Por representar a pesquisa de anticorpos, pode ser utilizado quando o paciente não está mais com a infecção e pode sinalizar um contato prévio e antigo, ou mesmo uma infecção atual em andamento.

Desvantagens: há necessidade de aguardar um tempo variável de paciente para paciente de cerca de 5-7 dias (alguns pacientes chegam a demorar 9 a 11 dias, e uma minoria até 20 dias) após o início dos sintomas para que o corpo tenha tempo de produzir os anticorpos. Caso contrário, pode gerar um “falso negativo” (termo científico) para este período que é chamado de janela imunológica (tempo para a produção de níveis detectáveis de anticorpos). Sendo assim, um resultado negativo, não exclui a possibilidade da doença.

Também pode haver a possibilidade de “falso positivo” (termo científico), devido à interferência por anticorpos heterófilos (anticorpos muito imaturos, bem menos específicos, liberados antes mesmo do IgM) e reações cruzadas (devido a esses anticorpos serem menos específicos, que podem se encaixar inadequadamente), em caso de infecção por outros vírus.

Atenção: este exame foi criado para a realização de uma triagem rápida de pacientes, porém, por serem desta natureza, possuem um grau de sensibilidade e especificidade menor, quando comparados aos testes de metodologia mais apurada como Elisa, quimioluminescência, enzimaimunoensaio, entre outros.  Por isso, eles não devem ser usados como único critério de diagnóstico.

Ou seja, quando positivos ou negativos, eles devem ser associados a sinais e sintomas clínicos ou outros testes laboratoriais, a critério médico. Além disso, este teste não informa a quantidade de anticorpos encontrada, é um teste qualitativo. Por isso, apenas informa positivo ou negativo.

Além disso, este teste, bem como outros para sorologia (mesmo os de metodologia mais apurada), possui um limite de detecção. E só vai detectar anticorpos quando o paciente possuir quantidades circulantes suficientes para a detecção pelo kit.

Um resultado negativo, a qualquer momento, não exclui a doença. Sendo assim, caso os sintomas clínicos persistam ou exista suspeita de infecção pelo coronavírus, sugere-se a realização de testes adicionais de acompanhamento usando outras metodologias. Ou a critério médico, a realização de nova coleta em período pré-determinado, considerando o início dos sintomas e/ou a possibilidade da exposição, pensando-se em janela imunológica e em uma futura soroconversão (positivação do anticorpo).

Indicações: paciente com sintomas, após 5 a 7 dias (alguns pacientes chegam a demorar 9 a 11 dias, e uma minoria até 20 dias) do início do quadro. Pacientes com sintomas graves, após este mesmo tempo do início do quadro, que estão aguardando pelo resultado do PCR, que normalmente tende a demorar mais dias.

Caso o paciente não esteja apresentando sintomas, mas queira verificar um possível contato com o vírus a qualquer momento, este teste pode ser utilizado. Um paciente com IgM negativo e IgG positivo pode ser considerado imune, embora ainda existam questionamentos a respeito desse ponto.

3. Teste sorológico IgA e IgG para coronavírus

Este teste é realizado mediante a coleta de sangue venoso (punção de uma veia).

O exame é feito pela metodologia de Elisa, quimioluminescência ou outra, buscando encontrar anticorpos produzidos pelo corpo contra a infecção pelo coronavírus. Sendo assim, pesquisamos IgA (semelhante ao IgM, explicado acima), que fala a favor de uma infecção mais aguda e inicial.

E o IgG que remete a uma infecção mais tardia ou passada. Porém, quando associados IgA e IgG positivos, indicam uma infecção em andamento ou em recuperação.

Vantagens: além da metodologia mais apurada, muitos estudos recentes têm apontado uma melhor sensibilidade do IgA frente ao diagnóstico de doenças respiratórias agudas, como pelo coronavírus.

Por este teste representar a pesquisa de anticorpos, ele pode ser utilizado quando o paciente não está mais com a infecção e pode sinalizar um contato prévio e antigo, ou mesmo uma infecção atual em andamento.

Desvantagens: há a necessidade de aguardar um tempo variável de paciente para paciente de cerca de 5-7 dias (alguns pacientes chegam a demorar 9 a 11 dias, e uma minoria até 20 dias) após o início dos sintomas para que o corpo tenha tempo de produzir os anticorpos. Caso contrário, pode gerar um “falso negativo” (termo científico) neste período que é chamado de janela imunológica (tempo para a produção de níveis detectáveis de anticorpos). Sendo assim, um resultado negativo, não exclui a possibilidade de doença.

Por ser uma técnica mais apurada, o laudo pode demorar até 4 dias úteis.

Indicações: paciente com sintomas, após 5 a 7 dias (alguns pacientes chegam a demorar 9 a 11 dias, e uma minoria até 20 dias) do início do quadro. Caso o paciente não esteja apresentando sintomas, mas queira verificar um possível contato com o vírus a qualquer momento, este teste pode ser utilizado.

Um paciente com IgA negativo e IgG positivo pode ser considerado imune, embora ainda existam questionamentos a respeito desse ponto.

Atenção: este teste também possui um limite de detecção. E só vai detectar anticorpos quando o paciente possuir quantidades circulantes suficientes para a detecção pelo kit.

Um resultado negativo, a qualquer momento, não exclui a doença. Sendo assim, caso os sintomas clínicos persistam ou exista suspeita de infecção pelo coronavírus, sugere-se a realização de testes adicionais de acompanhamento ou a critério médico, a realização de nova coleta em período pré-determinado, considerando o início dos sintomas e/ou a possibilidade da exposição, pensando-se em janela imunológica e em uma futura soroconversão (positivação do anticorpo).

O que mais preciso saber?

Muito foi colocado e dito baseado em estudos científicos e em evidências médicas, porém, em se tratando do coronavírus, um vírus mundialmente novo, existem ainda muitas dúvidas e incertezas.

Alguns estudos têm apontado a demora ou mesmo a ausência de positividade do IgM em pacientes com a infecção pela Covid-19. Por isso, muitas empresas têm investido também na utilização do IgA (um outro tipo de anticorpo produzido mais rapidamente, e por isso menos específico, semelhante ao IgM) que tem mostrado resultados melhores no auxílio diagnóstico em alguns pacientes.

Mediante estas questões, tem sido visto que alguns pacientes podem demorar até cerca de 3 a 4 semanas para apresentarem resultados de anticorpos positivos, o que não costuma ser o usual.

Além disso, infelizmente, já foram relatados casos de pessoas que mesmo com um teste de PCR positivo, não apresentaram anticorpos positivos para coronavírus. Ainda não há comprovação de que o surgimento de anticorpos IgG esteja associado à imunidade contra o SARS-CoV-2.

Também foram vistos pacientes que, mesmo após a melhora do quadro e dos sintomas, continuam testando positivo para o teste de PCR Covid-19, indicando que ainda existiria material genético do vírus circulando em seus organismos.

Por isso, todo cuidado é pouco. Muitas novidades chegam a todo dia e é preciso estar atento a todas as informações relacionadas a este que é, no momento, o assunto mais falado no mundo e o mais estudado por toda a cadeia científica.

Ademais, é muito importante saber que toda vez que se fala de coleta de exames laboratoriais, especialmente de sorologia, ou seja, de coleta de sangue para diagnóstico de infecções, ela reflete o estado do paciente naquele dado momento.

Isso porque um dia de diferença pode modificar um resultado, visto que o mesmo depende da quantidade de vírus no corpo (carga viral), da resposta do paciente frente à infecção e consequentemente da sua produção de anticorpos.

O que esperamos para o futuro?

Enquanto aguardamos ansiosamente por uma vacina, continuamos nos mantendo em isolamento, dentro de nossas casas e saindo apenas para o que for de fato necessário.

Sabemos que o mais importante neste momento é evitar o contato com outras pessoas, já que nunca sabemos quem pode estar hospedando o coronavírus.

Portanto, o uso de máscaras é prioridade para quem precisa sair de casa, além do uso de álcool em gel 70% ou da lavagem frequente das mãos com água e sabão.

Sabendo que, além de tudo isso, e tão importante quanto, é saber usar e retirar a máscara, bem como os sapatos e as roupas, pois esta tem sido uma grande fonte de contaminação dos pacientes mundo afora. Mas este é assunto para um próximo post.

Enfim, sabemos que este foi apenas um breve e pequeno resumo na tentativa de explicar de forma mais simples o que temos hoje em exames diagnósticos. Nosso objetivo é ajudar você em um melhor entendimento. Entretanto, esperamos que tenha ficado claro que é preciso um profissional apto e gabaritado para a boa interpretação de laudos laboratoriais, bem como para a tomada de decisões baseada em evidência e nas boas práticas médicas.

No mais, caso tenha dúvidas e perguntas, entre em contato conosco pelo nosso WhatsApp, site ou redes sociais. Estamos à disposição.

Se for necessário coletar qualquer um destes exames, informamos que estamos fazendo as coletas em domicílio, em nossas unidades laboratoriais (com ou sem agendamento), ou mesmo no carro, conforme a sua conveniência.

É válido ressaltar que todas as formas de coleta são feitas de forma segura, mantendo os padrões de qualidade para nossos pacientes e colaboradores, seguindo as normas vigentes.

Vital é cuidar da sua saúde!

Referências científicas:

  1. SARS-CoV-2 specific antibody responses in COVID-19 patients Nisreen M.A. Okba1*† , Marcel A. Müller2,3* , Wentao Li4* , Chunyan Wang4 , Corine H. GeurtsvanKessel1 , Victor M. Corman2,3 , Mart M. Lamers1 , Reina S. Sikkema1 , Erwin de Bruin1 , Felicity D. Chandler1 , Yazdan Yazdanpanah5, 6 , Quentin Le Hingrat5, 7 , Diane Descamps5, 7 , Nadhira Houhou-Fidouh7 , Chantal B. E. M. Reusken1, 8 , Berend-Jan Bosch4 , Christian Drosten2,3 , Marion P.G. Koopmans1 , & Bart L. Haagmans.
  2. Interpreting Diagnostic Tests for SARS-CoV-2. Nandini Sethuraman, MD Department of Microbiology, Apollo Hospitals, Chennai, India. Sundararaj Stanleyraj Jeremiah, MD Department of Microbiology, Yokohama City University, Yokohama, Japan. Akihide Ryo, MD, PhD Department of Microbiology, Yokohama City University.
  3. Métodos Laboratoriais para Diagnóstico da Infecção pelo SARS-CoV-2. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (http://www.sbpc.org.br/wp-content/uploads/2020/04/MetodosLaboratoriaisDiagnosticoSARS-CoV-2.pdf). Acessado em 09/04/2020.
  4. Guo L, et al. Profiling Early Humoral Response to Diagnose Novel Coronavirus Disease (COVID-19). Clin Infect Dis. 2020 Mar 21. pii: ciaa310. doi: 10.1093/cid/ciaa310. [Epub ahead of print]
  5. Nisreen M.A. Okba, et al.SARS-CoV-2 specific antibody responses in COVID-19 patients. medRxiv 2020.03.18.20038059; doi: https://doi.org/10.1101/2020.03.18.20038059.
  6. Quan-xin Long, et al. Antibody responses to SARS-CoV-2 in COVID-19 patients: the perspective application of serological tests in clinical practice. medRxiv 2020.03.18.20038018; doi: https://doi.org/10.1101/2020.03.18.20038018.
  7. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/return-to-work.html
  8. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/guidance-risk-assesment-hcp.html
  9. https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/21/2020-02-21-Boletim-Epidemiologico03.pdf

 

 

 
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